sábado, 2 de setembro de 2017

O Centenário de Russinho

01.09.1917

Há exatos 100 anos, nascia na cidade de Cruz Alta o menino David Russowski.

Filho de uma abastada e tradicional família judia, mudou-se para Porto Alegre, para estudar. Em 1934 ingressou nas categorias de base do Grêmio, onde atuou até 1936. Em 1937 trocou o Grêmio pelo Americano, mas quando ocorreu o racha entre amadores e profissionais, acabou retornando ao Grêmio, em uma polêmica transferência. Mas após ser campeão municipal pelo Tricolor, em 1938, preferiu trocar de ares, e apresentou-se nos Eucaliptos.

Russinho estreou no Internacional com derrota. Em 11 de março de 1939 o Internacional perdeu um amistoso para o Ferroviário por 3x2. Mas sua passagem pelo Colorado seria marcada por vitórias.

Nesta primeira temporada pelo Colorado, conquistou o Torneio Relâmpago, brilhando ao lado de Carlitos e Sylvio Pirillo. O campeonato da cidade havia sido unificado, após dois anos dividido. Como não era possível organizar um campeonato municipal com os onze clubes que faziam parte da liga, foi organizado um torneio, em turno único, que classificaria os cinco primeiros para a Série A, e rebaixaria os demais para a Série B. No campeonato municipal, apesar da boa campanha e do clube já contar com Tesourinha, o título não veio.

Em 1940, porém, o Colorado dominou o futebol gaúcho, retomando a hegemonia estadual. Em 18.08.1940, o Internacional empatou em 4x4 com o São José, pelo campeonato municipal. O Colorado perdia por 4x2 até dez minutos antes do fim da partida, quando Russinho marcou dois gols, garantindo o empate. O quarto gol colorado foi uma pintura! Houve uma sequência de passes de cabeça: Alfeu para Rui, Rui para Russinho, Russinho para Carlitos e Carlitos para Russinho, que marcou o gol. O goleiro do São José era nada menos que Ivo, que mais tarde brilharia no Rolo Compressor. Em 20.10.1940, também pelo campeonato municipal, o Internacional bateu o Grêmio por 4x3, com Russinho marcando o gol 300 do clássico.

Em 1941, novamente o Colorado arrebatou os campeonatos municipal e estadual. E em dezembro de 1941 Russinho formou-se em direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Mas a grande temporada de Russinho ainda estava por vir.

O ano de 1942 não começou muito bem para Russinho. No início do ano ele participou da delegação gaúcha que disputou os Jogos Universitários, no Rio de Janeiro. Tal atitude desagradou o técnico colorado, o uruguaio Ricardo Díez. O novo comandante do Internacional organizou a primeira pré-temporada da história do clube, com treinos específicos e exames médicos. Por iniciativa dele, o clube montou algo revolucionário no futebol gaúcho: um Departamento Médico.

Russinho não participou da pré-temporada, nem fez os exames médicos. Quando retornou a Porto Alegre, o técnico declarou que enquanto o atleta não passasse por uma bateria de exames e treinamentos especializados, não poderia jogar. Aborrecido, Russinho declarou que iria abandonar o futebol, causando verdadeira comoção na torcida colorada. A pressão da torcida para que Russinho fosse escalado era grande, e a direção passou a apoiar o craque. Irritado com a intromissão no seu trabalho, Ricardo Díez pediu demissão.

Mesmo sem ter participado da pré-temporada, Russinho não decepcionou. E 1942 marcava uma série de acontecimentos especiais. Esta foi a única temporada que a escalação clássica do Rolo Compressor atuou: Ivo; Alfeu e Nena; Assis, Ávila e Abigail; Tesourinha, Russinho, Vilalba, Rui e Carlitos. Além disso, o Rio Grande do Sul, pela primeira vez, poderia ter um tricampeão estadual.

Em 12.07.1942 o Internacional derrotou o Grêmio por 4x2, pelo campeonato municipal. Russinho marcou dois gols, o segundo, uma linda bicicleta. Este gol foi reproduzido em um panfleto colorido e distribuído pela cidade. Russinho recebeu uma placa com uma bicicleta de ouro, oferecida por torcedores e dirigentes.

No final da temporada, o Colorado conquistou, de forma invicta, o municipal e o estadual. A seguir, viajou para Curitiba, onde jogaria dois amistosos. Venceu o Atlético por 3x1, e perdeu para o Coritiba por 7x4, em uma partida onde o goleiro Ivo lesionou-se, e o time desandou em campo. Após a partida (na qual marcou um dos gols), Russinho decidiu abandonar o futebol. Sequer jogou o último amistoso da temporada, contra o Libertad do Paraguai.

Torcedores e dirigentes tentaram convencer Russinho a continuar jogando, mas o jogador queria seguir a carreira de advogado. Em meados de 1943, quando o jornalista (e ex-goleiro colorado) Francisco de Paula Job, radicado no Rio de Janeiro, esteve em Porto Alegre, foi homenageado com um grande jantar, onde pediu, em público, que Russinho reconsiderasse sua decisão, mas não adiantou. Pouco depois, o Internacional contrataria Joane, jovem promessa que havia atuado no Corinthians e no Palmeiras, com a missão de substituir Russinho.

Russinho era de família rica. Nunca precisou do futebol para sobreviver. Seu salário era quase todo gasto ajudando funcionários do clube ou mesmo jogadores mais necessitados. Costumava bancar o jantar do grupo de jogadores, após as vitórias. Brincalhão e amigo de todos, Russinho era adorado por colegas, dirigentes, funcionários e torcedores. Era chamado de “Doutor” pelos colegas. Foi capitão do time entre 1940 e 1942. Encerrada a carreira, manteve-se ligado ao clube, onde foi conselheiro.

Em 4 de setembro de 1958 Russinho estava em São Paulo, onde realizaria uma cirurgia para curar uma úlcera. Infelizmente, o ídolo colorado sofreu um choque anafilático durante a intervenção cirúrgica. Sua morte, três dias após completar 41 anos de idade, surpreendeu e comoveu a torcida gaúcha. Seu corpo foi trazido de avião e enterrado no Cemitério Israelita. Dirigentes e atletas de todos os clubes da cidade compareceram ao enterro. A Federação Gaúcha e a dupla Gre-Nal decretaram luto oficial de três dias. O presidente colorado, naquela temporada, era Gildo Russowski, seu irmão.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Futebol, elemento de integração social?

Trecho de uma interessante palestra de Eric Hobsbawm, proferida no Festival de Música de Salzburgo, em 2000, e publicada mais tarde na sua obra póstuma Tempos Fraturados.

"Mas será que esse globo novo, complicado e multidimensional, em constante movimento e em constante combinação, traz consigo a esperança de fraternização humana, da qual nossa era de xenofobia parece tão distanciada? Não sei dizer. Acredito, porém, que a resposta talvez possa ser encontrada nos estádios de futebol do mundo. Pois o mais global de todos os esportes é ao mesmo tempo o mais nacional. Para a maior parte da humanidade hoje, onze homens jovens num campo de futebol é o que personificam 'o país', o Estado, 'o nosso povo', e não os políticos, as constituições e as movimentações militares. Aparentemente, esses times nacionais são compostos de cidadãos nacionais. Mas todos nós sabemos que esses milionários dos esportes aparecem num contexto nacional apenas alguns dias por ano.  Em sua principal ocupação, eles são mercenários transnacionais, regiamente pagos, quase todos a serviço de outros países. Os times aclamados a cada dia por um público nacional são montagens heterogêneas de só Deus sabe quantos países e raças, em outras palavras, daqueles que são reconhecidos como os melhores jogadores do mundo. Na maioria dos clubes nacionais bem-sucedidos há, por vezes, não mais do que dois ou três jogadores nativos. Isso é lógico mesmo para torcedores racistas, pois o que eles querem acima de tudo é um clube vitorioso, ainda que não mais racialmente puro.

Feliz a terra que, como a França, se abriu para a imigração, e não leva em conta a etnicidade de seus cidadãos. Feliz a terra que se orgulha de poder escolher, para seu time nacional, africanos e afro-caribenhos, berberes, celtas, bascos e os filhos de imigrantes ibéricos e do leste da Europa. Feliz, não só porque isso lhes permitiu ganhar a Copa do Mundo, mas porque hoje os franceses - não os intelectuais e os principais adversários do racismo, mas as massas, que afinal de contas inventaram e ainda personificam a palavra 'chauvinismo' - declararam que seu melhor jogador, o filho de imigrantes muçulmanos da Argélia, Zinedine Zidane, é, muito simplesmente, o 'maior dos franceses'. Reconheçamos que isso está muito longe do velho ideal da irmandade das nações, mas está mais longe ainda do pensamento dos valentões neonazistas da Alemanha e do governador da Caríngia. E, se as pessoas não forem julgadas pela cor da pele, pela língua que falam, pela religião que praticam, e coisas do gênero, mas pelos seus talentos e conquistas, então há motivo de esperança.  E há motivo de esperança porque o curso da evolução histórica vai na direção de Zidane, e não na de Jörg Haider."

Para ajudar na compreensão do texto, Jörg Haider, político austríaco de extrema-direita e simpatizante de Hitler, era, na época, governador da Caríngia.

Se o mundo ainda tem dado saltos para trás, em algumas demonstrações de xenofobia e preconceitos de todo tipo, mesmo assim, como disse Hobsbawm, o curso da evolução histórica continua seguindo, as vezes mais rápido, as vezes mais lento, na direção de Zidane. E o futebol, com sua paixão extremada, seu fervor religioso, tem ajudado, mesmo que inconscientemente, na maioria das vezes, a derrubar barreiras e preconceitos. E para acelerar o curso da evolução histórica, é de fundamental importância revertermos esse processo de elitização do futebol. Que o povo possa voltar a frequentar os estádios de futebol!

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Beira-Rio em números


Esses números são o resultado de um consenso entre alguns pesquisadores da história do Internacional, estabelecidos através de alguns critérios, excluindo jogos-treinos e a partida anulada do campeonato brasileiro de 2005. Não estão computados também jogos da Seleção Brasileira, da Copa do Mundo de 2014 ou envolvendo outros clubes que não o Internacional.

Números totais (até a partida Internacional 1x0 Fluminense - 08.02.2017):
1.530 partidas
984 vitórias
355 empates
191 derrotas
2.901 gols marcados
1.016 gols sofridos
1.885 gols de saldo

Top 5

Os cinco clubes que mais enfrentaram o Internacional no Beira-Rio:
1º Grêmio - 114 partidas
2º Juventude - 65 partidas
3º Caxias - 45 partidas
4º Flamengo - 43 partidas
5º Novo Hamburgo - 39 partidas

Os cinco clubes gaúcho que mais enfrentaram o Internacional no Beira-Rio:
1º Grêmio - 114 partidas
2º Juventude - 65 partidas
3º Caxias - 45 partidas
4º Novo Hamburgo - 39 partidas
5º Esportivo - 36 partidas

Os cinco clubes de outros estados que mais enfrentaram o Internacional no Beira-Rio:
1º Flamengo - 43 partidas
2º Atlético MG - 38 partidas
3º Palmeiras e Fluminense - 35 partidas
5º Santos, Cruzeiro e São Paulo - 34 partidas

Os cinco clubes do exterior que mais enfrentaram o Internacional no Beira-Rio:
1º Peñarol URU - 7 partidas
2º Nacional URU - 5 partidas
3º Emelec EQU - 4 partidas
4º Cerro Porteño PAR, Estudiantes ARG e Boca Juniors ARG - 3 partidas

Os cinco clubes que o Internacional mais venceu no Beira-Rio
1º Grêmio - 45 vitórias
2º Juventude - 41 vitórias
3º Caxias e Novo Hamburgo - 29 vitórias
5º Brasil de Pelotas - 26 vitórias

Os cinco clubes com os quais o Internacional mais empatou no Beira-Rio
1º Grêmio - 41 empates
2º Corinthians - 17 empates
3º Juventude e Flamengo - 15 empates
5º Fluminense - 12 empates

Os cinco clubes para os quais o Internacional mais perdeu no Beira-Rio
1º Grêmio - 28 derrotas
2º São Paulo - 11 derrotas
3º Juventude e Botafogo - 9 derrotas
5º Cruzeiro e Fluminense - 7 derrotas

Os cinco clubes em que o Internacional mais marcou gols no Beira-Rio
1º Juventude - 131 gols
2º Grêmio - 113 gols
3º Caxias - 85 gols
4º Novo Hamburgo - 84 gols
5º Internacional SM - 74 gols

Os cinco clubes dos quais o Internacional mais sofreu gols no Beira-Rio
1º Grêmio - 93 gols
2º Juventude - 43 gols
3º São Paulo e Atlético MG - 42 gols
5º Caxias - 35 gols

Os cinco melhores saldos de gol do Internacional no Beira-Rio
1º Juventude - 88 gols
2º Novo Hamburgo - 72 gols
3º Internacional SM - 58 gols
4º Esportivo - 57 gols
5º Santa Cruz RS - 56 gols

Os cinco piores saldos de gol do Internacional no Beira-Rio
1º Seleção do Campeonato Brasileiro - -3
2º Seleção da França e Seleção da Hungria - -2
4º São Paulo, Bangu, Shakhtar Donetsk UCR, Itabaiaba, Ferencvaros HUN, Atlético Nacional COL e Hamburgo ALE - -1

Os cinco clube que o Internacional mais enfrentou no Beira-Rio e nunca perdeu
1º Internacional SM - 31 partidas
2º Passo Fundo, São Borja, Gaúcho e Aimoré - 13 partidas

Os cinco clube que o Internacional mais enfrentou no Beira-Rio e nunca empatou
1º Passo Fundo - 13 partidas
2º Veranópolis - 12 partidas
3º Guarany de Bagé e Avaí - 7 partidas
5º 15 de Novembro e Ulbra - 6 partidas

Os cinco clube que o Internacional mais enfrentou no Beira-Rio e nunca venceu
1º Bangu - 4 partidas
2º América COL e Internacional SP - 2 partidas
4º Seleção do Campeonato Brasileiro, Seleção da França, Seleção da Hungria, Shakhtar Donetsk UCR, Itabaiaba, Ferencvaros HUN, Atlético Nacional COL, Hamburgo ALE, Palestino CHI, Rosario Central ARG, São José SP, Seleção da Romênia, Vitória de Setúbal POR, Racing ARG, CSA, Ferroviária SP e Sparta Praga TCH - 1 partida

Os cinco clube que o Internacional mais enfrentou no Beira-Rio e venceu todas as partidas
1º Passo Fundo - 13 partidas
2º Guarany de Bagé - 7 partidas
3º 15 de Novembro e Ulbra - 6 partidas
5º Paysandu e Farroupilha - 5 partidas

domingo, 4 de dezembro de 2016

Charuto


Há exatamente 64 anos, em 4 de dezembro de 1952, falecia Charuto.

O nome desse torcedor colorado ainda é uma incógnita. Se perdeu no tempo e talvez nunca seja descoberto. Mas isso não significa que ele fosse um desconhecido. Pelo contrário, era um dos mais ilustres torcedores colorados, em sua época. Conhecido e admirado por todos. Um "colorado em estado puro", na definição de Luís Fernando Veríssimo.

Charuto vivia dos bicos que fazia nas docas do Cais do Porto, carregando caixas de frutas. Sem dinheiro para frequentar o estádio, sempre encontrava torcedores dispostos a pagar seu ingresso. Se não encontrasse um patrocinador, contava com a boa vontade dos porteiros, que "ignoravam" quando Charuto entrava no estádio de costas, para fingir que estava saindo.

Charuto costumava chegar ao estádio já embriagado, e uma vez lá dentro ainda recebia cervejas pagas por outros torcedores. Normalmente virava-se de costas para o campo e de frente para a torcida, fazia discursos incompreensíveis, gritava "Co-ro-ra-do! Co-ro-ra-do!", sentava na arquibancada e dormia o resto do jogo. Em jogos especiais, como os Gre-Nais, Charuto trazia caixas de chuchus e tomates estragados, para jogar nos adversários.

Mas não se pense que, por jogar frutas em outras pessoas, Charuto fosse uma pessoa agressiva. O Jornal do Dia de 5 de dezembro de 1952 assim o descreve: "De índole galhofeira, perfeitamente inofensivo, seu aparecimento em qualquer círculo de palestra nas ruas  estádios era sempre bem recebida, pelo humorismo apresentado na simplicidade de seu modo tosco de falar."

Dizem que um dia alguns torcedores fizeram uma vaquinha, compraram roupas novas para Charuto e o levaram para a social do estádio. Charuto não teria se sentido à vontade, pediu desculpas e volto para o meio do povo. Voltemos ao Jornal do Dia, que o apresentou como o "mais modesto, e no entanto, mais vigoroso admirador" do Clube do Povo.

Sua morte varia conforme duas versões. Em ambas, Charuto envolveu-se em uma briga, por motivo desconhecido. Em uma das versões, a briga ocorreu no Cais do Porto, Charuto perdeu o equilíbrio, caiu e bateu com a cabeça no meio-fio. m outra versão, a briga ocorreu próximo o Mercado Público, e Charuto foi esfaqueado.

Seu enterro ocorreu no mesmo dia 4. Uma lenda bonita, mas falsa, aparece em vários textos, na internet. Charuto teria tido seu caixão carregado pelos jogadores do Internacional, devidamente fardados. Na verdade a morte, na época e ainda hoje, se reveste de uma sóbria solenidade, e certamente não teríamos jogadores fardados carregando um caixão. Além do mais, no dia 7 ocorreria o Gre-Nal decisivo do campeonato e os jogadores colorados já estavam concentrados. Mas o clube não deixou desamparado seu torcedor. Todas as despesas do funeral foram bancadas pelo clube e a direção colorada compareceu em peso ao velório e funeral.

Charuto representa aquele torcedor de origem humilde, que foi expulso do Beira-Rio nos últimos anos, como se fosse uma chaga. O resultado dessa elitização vemos aí em campo. Charuto, no plano espiritual, deve estar juntando chuchus e tomates podres, mas não para lançar nos adversários, e sim nessa direção arrogante e elitista que levou o "Cororado" a essa situação.

Para encerrar, passo a palavra a Luís Fernando Veríssimo:

"Me lembrei do Charuto, que nunca olhava para o campo, provavelmente nem sabia quem era o adversário do Inter e dificilmente lia jornal ou ouvia rádio para saber dos campeonatos e das campanhas do seu time. Sua paixão pelo Inter independia de qualquer entorno - o Internacional era, para ele, para todos os efeitos, uma abstração. O objeto de um amor perene e incondicional. Ganhasse ou perdesse."

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Força, Chape!

Nada acontece por acaso. Grandes tragédias ocorrem para “sacudir” o entulho de egoísmo e insensibilidade que soterra a humanidade. A dor leva à reflexão e a mudanças no comportamento e no pensar.

O acidente com a avião que levava a delegação da Chapecoense gerou uma onda de solidariedade mundo afora que supera em muito o que alguém poderia imaginar, antes da tragédia. A imprensa mostrou as demonstrações de solidariedade de grande clube e atletas famosos na Europa, mas certamente isso se repetiu em cada rincão do planeta, não importando se clube grande ou pequeno, atleta profissional ou amador. Em quantos campinhos de terra pelo interior do Brasil, nesse final de semana, em torneios de várzea ou simplesmente amistosos, não foi respeitado um minuto de silêncio em homenagem às vítimas da tragédia?

Quem viu as imagens de ontem à noite, na Arena Índio Condá e no Atanásio Girardot, certamente notou a grande onda de emoção e solidariedade. Principalmente em Medellín,onde o estádio lotou e ainda ficaram milhares de torcedores fora, para solidarizarem-se e homenagearem um clube de outro país. A tão sofrida Colômbia viu reunirem-se milhares de pessoas, das mais diferentes etnias, condições sociais, convicções políticas e crenças religiosas, em torno de um sentimento comum, todos reconhecendo-se como iguais, como seres humano solidários com a dor de irmãos desconhecidos, mas igualmente humanos.

E essa união se repetiu no Brasil, na Europa, na Ásia, na África, na Oceania e em cada ponto do planeta onde a notícia chegou. Mesmo que algumas das manifestações de solidariedade possam ter sido apenas protocolares, na sua imensa maioria foram sinceras. E mesmo que muitos desses corações solidários hoje voltem a endurecer-se nos conflitos e rivalidades do dia-a-dia (e eu me incluo entre eles), uma semente de solidariedade e respeito ao próximo ficou plantada e vai brotar, mais cedo ou mais tarde.

Um dia, talvez ainda longe (mas trabalhemos para que fique o mais perto possível), esse sentimento de solidariedade e fraternidade, em que nos reconheçamos como irmãos e como iguais, vai ser natural, sem necessitar de grandes tragédias para aflorar.


Força, Chape!

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

O jogo que ninguém (ou quase ninguém) viu

(Foto: Ricardo Duarte - site oficial do Sport Club Internacional)

Preocupados com a situação do Internacional, reuniram-se no Plano Espiritual várias personalidades, entre eles Frederico Arnaldo Ballvé, Arthur Dallegrave, Carlo Kluwe, Abelard Jacques Noronha e o próprio Henrique Poppe Leão.

Após muito discutirem, ganharam do Plano Astral a autorização de influenciar em uma única partida, a que ocorreria ontem. Imediatamente mobilizou-se uma legião rubra para assistir aos atletas colorados.

O Internacional, em campo, parecia atrapalhado, né? Pois seria muito pior! Oreco consertava as bobagens do Geferson (e foram muitas, bem mais que as que conseguimos ver). Aquele gol que o Ramon Ábila perdeu. Vocês acham que ele errou o gol, mesmo? Que nada! Mílton, o goleiro do Rolinho, deu uma ponte perfeita e espalmou para escanteio. Como o juiz não viu ele, foi só tiro de meta. E o chute do Robinho, por cima? Por cima, nada! Alfeu, repetindo a final de 1944, jogou-se, perna estendida, na frente da bola, desviando-a.

E o gol colorado? Ah, o gol! Quem pensava ver Valdívia, via Tesourinha, no seu típico lance de ir avançando e perto da área mandar uma bomba! A zaga do Cruzeiro parecia atrapalhada, não? Carlitos, o “Sujeira”, ficou o tempo todo passando a mão na bunda dos zagueiros. Lisca mexeu muito bem no time. E não podia ser diferente, Ênio Andrade e Teté estavam ao seu lado, assoprando sugestões.

O time colorado jogou com muita disposição, apesar de um tanto desorganizado. É que no ouvido de todos os jogadores ecoava o brado de Ávila, “Luta, castelhano covarde!” Fernandão teve um papel fundamental, em alguns momentos dando energia extra ao seu camarada Alex, outras vezes exortando seu amigo Rafael Sobis a não se empenhar muito.

Torcedores com mediunidade, presentes ao estádio, juram ter visto Gerson e Escurinho ajudando no ataque e Nena e Scala fechando a defesa. E nos minutos finais, em que a pressão azul ficou maior, Caçapava, Felix Magno, Lampinha, Elton, Salvador, Odorico e Odorico formavam uma verdadeira parede de escudos colorada em frente à área.


E mais de um torcedor reconheceu, em meio à torcida, Vicente Rao e Charuto comandando a festa e incentivando o time. Só assim mesmo, para vencermos. Espero que essa semana essa turma consiga nova autorização para estarem presentes no Rio de Janeiro.

sábado, 20 de agosto de 2016

Clubes que cederam jogadores medalhistas

Clubes que cederam atletas para as seleções brasileiras medalhistas no torneio de futebol masculino das Olimpíadas:

1º Internacional - 19 atletas
2 Ouro - Rodrigo Dourado e William (2016)
16 Prata - Pinga, Milton Cruz, André Luiz, Mauro Galvão, Kita, Silvinho, Gilmar, Ademir, Paulo Santos, Dunga, Luís Carlos Winck (1984), Taffarel, Luís Carlos Winck e Aloísio (1988), Oscar e Leandro Damião (2012)
1 Bronze - Renan (2008)

2º Santos - 7 atletas
3 Ouro - Zeca, Thiago Maia e Gabriel Barbosa (2016)
3 Prata - David (1984), Neymar e Paulo Henrique Ganso (2012)
1 Bronze - Narciso (1996)

3º Flamengo - 6 atletas
4 Prata - Gilmar Popoca (1984), Zé Carlos, Jorginho e Bebeto (1988)
2 Bronze - Zé Maria e Sávio (1996)

4º Vasco da Gama - 5 atletas
1 Ouro - Luan (2016)
4 Prata - Mazinho, Geovani e Romário (1988) e Rômulo (2012)

4º Palmeiras - 5 atletas
1 Ouro - Gabriel Jesus (2016)
4 Bronze - Flávio Conceição, Roberto Carlos, Rivaldo e Luizão (1996)

4º São Paulo - 5 atletas
1 Ouro - Rodrigo Caio (2016)
2 Prata - Lucas Moura e Bruno Uvini (2012)
2 Bronze - Alex Silva e Hernanes (2008)

4º Milan ITA - 5 atletas
3 Prata - Gabriel, Thiago Silva e Alexandre Pato (2012)
2 Bronze - Alexandre Pato e Ronaldinho Gaúcho (2008)

7º Corinthians - 4 atletas
2 Prata - Ronaldo Moraes (1984) e Edmar (1988)
2 Bronze - Zé Elias e Marcelinho Paulista (1996)

7º Atlético MG - 4 atletas
2 Ouro - Uílson e Douglas Santos (2016)
1 Prata - João Batistas (1988)
1 Bronze - Ronaldo Guiaro (1996)

7º Cruzeiro - 4 atletas
2 Prata - Ademir e Careca (1988)
2 Bronze - Dida (1996) e Ramires (2008)

7º Grêmio - 4 atletas
2 Ouro - Luan e Wallace (2016)
1 Prata - Valdo (1988)
1 Bronze - Danrlei (1996)

11º Ponte Preta - 3 atletas
3 Prata - Luís Henrique e Chicão (1984) e André Cruz (1988)

11º Fluminense - 3 atletas
1 Prata - Ricardo Gomes (1988)
2 Bronze - Thiago Silva e Thiago Neves (2008)

11º Porto POR - 3 atletas
3 Prata - Hulk, Danilo e Alex Sandro (2012)

14º Guarani - 2 atletas
2 Prata - João Paulo e Neto (1988)

14º Internazionale ITA - 2 atletas
1 Prata - Juan Jesus (2012)
1 Bronze - Roberto Carlos (1996)

14º Real Madrid ESP - 2 atletas
1 Prata - Marcelo (2012)
1 Bronze - Marcelo (2008)

14º Manchester United ING - 2 atletas
1 Prata - Rafael Silva (2012)
1 Bronze (Anderson (2008)

14º Barcelona ESP - 2 atletas
2 Ouro - Neymar e Rafinha (2016)

19º Aimoré - 1 atleta
1 Prata - Tonho (1984)

19º Coritiba - 1 atleta
1 Prata - Mílton (1988)

19º Roma ITA - 1 atleta
1 Bronze - Aldair (1996)

19º La Coruña ESP - 1 atleta
1 Bronze - Bebeto (1996)

19º Middlesbrough ING - 1 atleta
1 Bronze - Juninho Paulista (1996)

19º PSV Eindhoven HOL - 1 atleta
1 Bronze - Ronaldo (1996)

19º Almeria ESP - 1 atleta
1 Bronze - Diego Alves (2008)

19º Schalke 04 ALE - 1 atleta
1 Bronze - Rafinha (2008)

19º Liverpool ING - 1 atleta
1 Bronze - Lucas (2008)

19º Shakhtar Donetsk UCR - 1 atleta
1 Bronze - Ilsinho (2008)

19º Bayern Munique ALE - 1 atleta
1 Bronze - Breno (2008)

19º Werder Bremen ALE - 1 atleta
1 Bronze - Diego (2008)

19º Betis ESP - 1 atleta
1 Bronze - Rafael Sobis (2008)

19º Manchester City ING - 1 atleta
1 Bronze (2008)

19º Tottenham ING - 1 atleta
1 Prata - Sandro (2012)

19º Fiorentina ITA - 1 atleta
1 Prata - Neto (2012)

19º PSG FRA - 1 atleta
1 Ouro - Marquinhos (2016)

19º Lazio ITA - 1 atleta
1 Ouro - Felipe Anderson (2016)

19º Beijing Ghouan CHN - 1 atleta
1 Ouro - Renato Augusto (2016)

19º Atlético PR - 1 atleta
1 Ouro - Weverton (2016)